2019 será um ano difícil para o produtor, avalia Lupion

Brasília – “Nós tivemos um clima um pouco diferente no sul e no Mato Grosso do Sul, grandes produtores de grãos, uma sazonalidade de chuvas muito ruim, existe uma quebra da safra de soja, o arroz enfrenta dificuldade. Não é um ano (2019) em que prevemos muitos ganhos para o agro”.

 

A declaração é do deputado Pedro Lupion, em entrevista à Rádio Câmara na manhã desta segunda-feira (08), durante a realização da ExpoLondrina, um dos maiores eventos agropecuários do País. Perguntado sobre as perspectivas para a atual safra, o parlamentar deixou claro que 2019 será um ano difícil para o setor, e que isso faz aumentar a responsabilidade dos integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

 

“A agricultura vive sempre no limiar de custo de produção e lucratividade para o produtor. Você tem sempre que se preocupar em equilibrá-los. Cada ponto fora da curva, como os deste ano, aumenta o custo de produção e diminui os ganhos. O desafio é aumentar os lucros, sem efetivamente aumentar o preço final para o consumidor”.

 

O parlamentar leva essas análises para o Fórum do Agronegócio, importante painel sobre os rumos do setor no País, com a presença da ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Lupion é autor de requerimento aprovado na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados para que o colegiado participasse do evento, que ocorre durante a ExpoLondrina.

 

Custo Brasil

No Fórum, são discutidos temas relevantes para o setor, como a Lei Kandir e a taxação de exportações do agro; a renovação do convênio 100/97 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que redução a taxação de insumos agrícolas; as demandas para o plano safra de 2019, bem como a pesada carga tributária que os produtores enfrentam.

 

Pedro Lupion diz que apoia o liberalismo econômico defendido pelo atual governo de Jair Bolsonaro, mas, ao mesmo tempo, vê com preocupação a retirada de subsídios agrícolas no cenário atual, e que, se isso ocorrer, o consumidor final é quem vai sentir o aumento no preço.

 

“O agro não vive sem subsídio. A partir do momento em que tivermos as mesmas condições de nossos concorrentes, principalmente os EUA, para colocar os produtos no mercado , tudo bem. Por exemplo, a União Europeia banca o pecuarista para que a produção de leite continue. Aqui, pelo contrário, pagamos praticamente metade do preço do nosso animal para o governo”.

 

Protecionismo

Lupion elogiou os esforços da ministra Tereza Cristina à frente da Agricultura, e de Jair Bolsonaro, na busca de uma parceria com o presidente dos EUA, Donald Trump. Por outro lado, ele vê com preocupação a política externa, e ressalta que é essencial para o Brasil não perder mercados como o chinês, por exemplo.

 

“A partir do momento em que a China comece a comprar grãos dos EUA, a gente tá morto aqui”, afirmou, já que o farelo de soja adquirido pelos chineses é o principal produto agrícola brasileiro de exportação. O deputado defende o crescimento do Brasil internacionalmente, com cuidado para não perder mercados importantes.

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